Deu positivo! E agora?

Informação, prevenção e apoio são os aliados das mães de primeira viagem durante o momento lindo, mas desafiador, da gestação

Por Michelle de Geus

A mulher descobre que está grávida. O bebê que ainda não chegou já altera toda a rotina familiar. O casal logo começa a preparar o quarto da criança, compra o carrinho de bebê, faz o enxoval, etc. Os nove meses passam rápido e, em meio à correria, a preparação física e emocional da mãe não recebe a devida atenção. Buscar informação e fazer um acompanhamento médico possibilitam uma gestação e uma maternidade muito mais tranquilas e saudáveis.

NA BARRIGA
O primeiro passo, segundo Adriana Alves, coordenadora do Programa Mãe Ponta-grossense, consiste em garantir que esteja tudo bem fisicamente com a mãe e o bebê. Para minimizar o risco de complicações durante a gravidez, convém seguir uma dieta equilibrada, evitar alimentos que causem desconforto gástrico, ingerir bastante líquido, praticar exercícios físicos e adotar hábitos saudáveis.

“Muitos problemas de saúde podem ser evitados durante a gestação ou até mesmo quando a mulher ainda está pensando em engravidar. Por exemplo: mulheres que engravidam com sobrepeso têm mais chances de ter diabetes gestacional”, explica ela. Essas e outras orientações são passadas no acompanhamento pré-natal oferecido nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) do município.

“Quanto mais preparada e tranquila a mãe estiver, menos dor ela vai sentir e mais feliz ela vai ficar ao fim da gestação” (Mônica Balsano, doula e consultora de amamentação)

NASCEU! NASCEU!
Como é natural, o nascimento do bebê causa dúvidas e temores na gestante. “O parto é uma soma de coisas. Muitos problemas surgidos nesse momento vêm da maternidade mal resolvida, da gravidez não desejada, de problemas familiares ou da ausência do pai”, avalia Mônica Balsano, doula e consultora de amamentação.

Mônica recomenda buscar informações para entender o funcionamento do parto e visitar o hospital antes do nascimento, para se familiarizar com o ambiente e conhecer os profissionais. “Quanto mais preparada, relaxada e tranquila a mãe estiver, menos dor ela vai sentir e mais feliz ela vai ficar ao fim do processo”, aponta ela, indicando que o parto normal é dez vezes mais seguro para a mãe e 100 vezes mais seguro para o bebê.

MAMÃE? EU?
Psicóloga especialista em pré-natal e doula, Cíntia Machado lembra que as gestantes também precisam se preparar para o puerpério, o período após o parto em que ocorrem mudanças físicas e psicológicas. “É preciso se despedir daquela mulher sem filhos e se tornar mãe. Nem sempre é fácil se reconhecer no novo lugar, no novo corpo e na nova família, mas são emoções que devem ser acolhidas e vividas”, aconselha.

A causa do turbilhão de emoções, de acordo com ela, é fisiológica. “A saída da placenta gera uma queda hormonal grande e repentina. Isso causa a tristeza, o vazio e a vontade de chorar sem motivo”, esclarece a psicóloga, frisando que é preciso prestar atenção ao estado emocional da mãe e buscar ajuda psicológica caso ele atrapalhe os cuidados com o bebê.

Cíntia diz que as gestantes precisam exercitar a autoconfiança durante todo o processo. “O bebê é o reflexo da mãe e vai sentir a insegurança dela. É importante que a mulher confie na sua intuição, pois ela sabe o que é melhor para o seu filho”, orienta. Ter uma rede de apoio cria uma rotina de cuidados e contribui para que tudo corra de maneira mais leve nos primeiros meses de maternidade.

ORIENTAÇÕES PARA A GESTAÇÃO
– Seguir uma dieta equilibrada
– Evitar alimentos que causem desconforto gástrico
– Ingerir bastante líquido
– Praticar exercícios físicos regularmente
– Adotar hábitos saudáveis

MAMÃE, EU QUERO MAMAR
“A amamentação é um momento lindo, mas no início pode ser bem frustrante”, adianta Cíntia. Ela conta que o bebê já nasce com o reflexo da sucção, mas ainda não sabe fazer a pega correta, o que pode ocasionar problemas como fissuras, dor e mastite. “Nas primeiras semanas, é normal que a amamentação seja desconfortável e dolorida. A mãe precisa buscar informações para entender como oferecer o peito”, sugere.

A psicóloga avisa ainda que é natural que os recém-nascidos não parem de mamar e as mães tenham dificuldade para regular os horários e estabelecer uma rotina. “Quando o bebê fica no peito por muito tempo, algumas pensam que o leite não está sustentando, mas é que a amamentação também traz segurança e aconchego”, esclarece.

ESSE É O SEU IRMÃOZINHO!
No caso das famílias de segunda, terceira, quarta viagem, um dos desafios que os recém-nascidos trazem é o contato com os irmãos mais velhos. “É muito comum que o primeiro filho fique com ciúmes do irmãozinho. Então, os pais precisam ter uma boa estratégia para receber a nova criança na família”, instrui Cristiane Fernandes, psicóloga e psicopedagoga infantojuvenil.

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CUIDADO COM O CELULAR
Adriana Alves, coordenadora do Programa Mãe Ponta-grossense, aconselha as futuras mamães a reduzirem o tempo de exposição ao celular. Segundo ela, o brilho da tela pode provocar desvios hormonais. “Além disso, as mídias sociais às vezes geram estresse, e convém evitar tensões emocionais”, indica.

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