Vinte e seis municípios sob o olhar dele

De volta ao comando da Delegacia da Polícia Federal em Ponta Grossa, Jonathan Trevisan Junior faz um balanço do trabalho da instituição e adianta novidades

Por Fernando Rogala / Foto: André Waiga

Nove anos atrás, mais exatamente no dia 28 de maio de 2010, entrava em operação a Delegacia da Polícia Federal em Ponta Grossa. Uma das oito regionais do Paraná, a unidade é responsável pela atuação em 26 municípios dos Campos Gerais e entorno. A delegacia agora volta a ser comandada por Jonathan Trevisan Junior, curitibano formando em Direito pela Pontifícia Universidade Católica (PUC), que iniciou a sua carreira na Polícia Federal em 2002. Por haver participado do processo de instalação da unidade local, Jonathan conhece melhor do que ninguém a história, as conquistas e o futuro da delegacia na cidade. Na entrevista a seguir, o delegado faz um balanço do trabalho da Polícia Federal em Ponta Grossa e adianta algumas novidades.

A Polícia Federal tem uma grande abrangência de atendimento. Quais são essas atividades e como é feita a divisão dos procedimentos?
As atividades são divididas em duas atuações: polícia administrativa e polícia judicial. A administrativa, que envolve a prestação de serviço público, é de imigração, registro de estrangeiros, passaporte. Por conta de tantos executivos, religiosos e estudantes de vários países que temos na cidade, trabalhamos forte nessa parte. Na polícia administrativa também temos o registro e controle de armas de fogo, registro de produtos químicos e controle de empresas de segurança privada. Já a polícia judiciária é a parte que envolve crimes, a investigação, apuração e prevenção de crimes. Aí entram os inquéritos policiais. Na época de eleições, temos a atribuição dos crimes eleitorais.

“A crise econômica resultou em mais roubos e assaltos [em Ponta Grossa e região]”

Com os resultados já obtidos no decorrer desses anos, quais foram as principais transformações observadas na cidade e região?
As transformações foram sensíveis, tanto da polícia administrativa quanto da judicial. Mas isso se explica pelo grande crescimento de Ponta Grossa. No período que estou aqui, vi a cidade passar de cerca de 300 mil pessoas para algo em torno de 350 mil. Temos executivos estrangeiros, empresas produtoras de cervejas, de ração, que utilizam produtos químicos controlados e que demandam a nossa atuação. A crise econômica resultou em mais roubos e assaltos, e explosões de caixas eletrônicos da Caixa Econômica Federal ou dos Correios são atribuições nossas.

Jonathan Trevisan Junior: “A expectativa é de aumento do nosso efetivo, para que possamos, na parte preventiva, colocar mais pessoal na rua” (Foto: André Waiga)

Quais são os maiores destaques da atuação da delegacia em Ponta Grossa?
A unidade de Ponta Grossa se destaca por ser a primeira delegacia a adotar 100% o e-Proc [processos eletrônicos]. O nosso carro-chefe tem sido a repressão ao contrabando e descaminho, principalmente de cigarro, que na região é forte. Como Ponta Grossa é um caminho do sul ao resto do país, muitas vezes somos chamados a colaborar com outras delegacias. Voltaram a ocorrer bastante casos de moeda falsa, um problema que também temos combatido. Além disso, tivemos o aumento de atribuições com a reativação do aeroporto, em que contamos hoje com apoio da Guarda Municipal, que faz atividades suplementares.

O presidente Jair Bolsonaro editou vários decretos que tinham por objetivo flexibilizar a posse e porte de armas. Isso afetou de alguma forma o cotidiano da delegacia?
A mudança de legislação, em termos normativos, influiu diretamente nos serviços que prestamos. E isso casou com o novo sistema, o Sinarm II [Sistema Nacional de Armas], em que o registro de arma passou a ter tramitação eletrônica. Com o decreto, houve bastante procura. Cresceu o número de registros e a procura de pessoas perguntando como adquirir uma arma.

“Com o decreto [decreto das armas editado pelo presidente Jair Bolsonaro], cresceram os registros de armas de fogo e o número de pessoas interessadas”

Quais são as novidades e ações que a Polícia Federal pretende implementar?
Temos um projeto da direção geral de sermos a primeira delegacia com inquérito 100% eletrônico e eliminarmos de vez o papel. Queremos fazer tudo no digital. A pretensão é implantar nos próximos meses. Também estamos lutando pela construção de uma sede própria, porque a atual é locada. E, além disso, temos um concurso em andamento para a formação de novos policiais. A expectativa é de aumento do nosso efetivo, para que possamos, na parte preventiva, colocar mais pessoal na rua e ter mais operações.

Como está o andamento do projeto da nova sede?
O grande projeto atual é a construção da sede, até para abarcar esse maior efetivo que vamos ter. A área é da SPU [Secretaria do Patrimônio da União], que está sendo transferida para o departamento, que ficaria ao lado da área destinada para a construção do novo fórum. Fica atrás da antiga oficina da rede ferroviária, em Oficinas. O investimento está a cargo da Superintendência, mas eles estão tentando aproveitar um projeto de construções funcionais que atendam às necessidades da delegacia, com custo relativamente baixo e rápida execução. Estamos trabalhando para que seja o mais breve possível.

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