O campo é o meu parquinho

O amor da pequena Maria Fernanda Romancini Leonel de Carvalho pelos animais de grande porte se reverte em desenvolvimento pessoal e respeito ao meio ambiente

Por Michelle de Geus

As crianças sempre surpreendem os pais com o seu jeito curioso de ver o mundo. Quando soube que estava grávida de uma menina, Lu Romancini, CEO da Romancini Troncos & Balanças, de Laranjeiras do Sul (PR), já começou a imaginar como seria a criança. Ela queria que a filha fizesse aulas de balé e fosse ligada em moda e maquiagem. A Maria Fernanda nasceu e as bonecas deram lugar aos animais, os vestidos foram trocados por calças de montaria e os laços foram substituídos por galochas.

Desde pequena, a menina já demonstrava curiosidade e carinho pelos animais, especialmente pelos de grande porte. Quando tinha um ano e meio, ela presenciou o nascimento de um bezerro e ficou encantada. “No dia seguinte, ela pediu para conhecer o boi de perto, e o meu pai a colocou junto a um bezerro dentro do curral. Quando o animal se aproximou, ela o abraçou, enfiou a mão na boca dele, foi puxar o rabo. Gritava de alegria cada vez que o bezerro mugia para ela”, diverte-se Lu.

A partir de então, a menina pediu aos pais que lhe dessem um boi ou uma vaca. “O mais engraçado é que ela não queria um bezerro, queria um bem grande. O meu pai então comprou uma vaca de borracha e ela nunca mais largou o brinquedo”, lembra a mãe.

“Eu quero ser veterinária quando crescer, e vou cuidar de todos os bichinhos” (Maria Fernanda Romancini Leonel de Carvalho, 6 anos)

Maria Fernanda Romancini: “Quero ter uma fazenda bem grande para ter muitas vacas, bois e cavalos”

A PRIMEIRA ALEGRIA
Hoje, Maria Fernanda está com seis anos. Quando tinha quatro, ela compareceu a um leilão organizado pela família e comprou o seu primeiro animal de grande porte. Ela fez questão de usar o dinheiro da mesada para dar um lance em uma égua Quarto de Milha. Sua mãe tentou fazer com que ela não criasse muitas expectativas, explicando que outras pessoas poderiam dar lances maiores, mas acabou comprando o animal em segredo. “Nem acreditei quando a minha mãe me contou que a gente tinha conseguido comprar a égua. Eu fiquei tão feliz que o nome dela só poderia ser Alegria”, conta a pequena.

Maria Fernanda ajuda a amamentar os bezerros, alimentar o gado e dar banho nos cavalos. “Eu prefiro ir para a fazenda no final de semana. Lá eu posso brincar com as vacas e montar a Alegria. Mas, às vezes, a minha mãe fica com preguiça e não me leva”, queixa-se. Para aumentar o seu celeiro, a pequena guarda o dinheiro da mesada para comprar um boi da raça Punganur, um gado “anão”. “Eu quero ser veterinária quando crescer e vou cuidar de todos os bichinhos. Também quero ter uma fazenda bem grande para ter muitas vacas, bois e cavalos”, planeja Maria Fernanda, que ainda tem três cães e um gato.

Maria Fernanda ganhou seu primeiro animal de grande porte, a égua Alegria, aos quatro anos

RESPEITO PELA NATUREZA
A mãe conta que se surpreendeu “positivamente” com o entusiasmo da filha pelo campo. “Eu queria que ela tivesse contato com a natureza, que aprendesse a respeitar e amar os animais, mas não imaginava que ela fosse gostar tanto do campo”, explica Lu, ressaltando que o comportamento da menina surgiu de modo espontâneo. “É algo muito natural da Maria Fernanda. Desde que nós percebemos a afinidade dela com os animais, passamos a incentivá-la. Aprendo com a minha filha todos os dias”, derrete-se.

Na avaliação de Lu, os animais colaboram com o desenvolvimento infantil, pois estimulam a independência, as relações de troca e o respeito a todas as formas de vida. “Esse comportamento se reflete nos ambientes que a criança frequenta, com a família, os amigos e os colegas”, revela a mãe, destacando ainda que, convivendo com os animais, as crianças aprendem a respeitar o meio ambiente, compreendendo com naturalidade os cuidados que essa relação exige.

“Desde que nós percebemos a afinidade da Maria Fernanda com os animais, passamos a incentivá-la” (Lu Romancini, mãe de Maria Fernanda)

CUIDADOS
Em se tratando de segurança, os animais de grande porte exigem cuidados especiais. Para não se machucar, Maria Fernanda está sempre acompanhada de um adulto quando visita os bichos. “Eu já levei uma cabeçada de um boi, mas não fiquei com raiva”, lembra ela, que estava ajudando a colocar silagem nos cochos, quando os animais se agitaram. “A minha mãe disse que aquele touro era muito bravo, mas eu pedi para não falar assim dele. Eu expliquei que ele não fez por mal, só estava assustado comigo. Aí eu fui lá pedir desculpa para ele, porque eu que entrei no seu espaço”, explica a pequena.

Lu sempre ensina a filha a respeitar os limites de cada animal. “Nós explicamos para ela que eles agem por instinto e que ela precisa tomar cuidado até com a maneira de tocar. Hoje ela já entende que ela precisa se adequar ao animal e não o contrário”, relata a mãe, que incentiva os pais a fazerem com que os filhos percam o medo de animais – sempre tomando as devidas precauções, é claro.

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