Do lado do produtor

Previsto para liberar R$ 2,75 bilhões aos produtores rurais dos Campos Gerais, o Plano Safra 2019/20 já pode ser contratado em todo o país. Confira entrevista com Cleiston Oldoni, da superintendência regional do Banco do Brasil

Por Fernando Rogala

Mais de R$ 225 bilhões. Esse é o valor em recursos que, por meio do Plano Safra, o governo federal está disponibilizando aos produtores rurais de todo o país entre 1 de julho de 2019 a 30 de junho de 2020, para financiar atividades agrícolas e pecuárias. A iniciativa conta com a intermediação de instituições financeiras, que ofertam crédito com juros abaixo do praticado por qualquer banco privado – em alguns casos, como dos pequenos produtores, a taxa é de 3% ao ano. O Banco do Brasil é o maior operador desses recursos, correspondendo a quase 50% das liberações. Nesta entrevista, Cleiston Oldoni, superintendente regional do banco nos Campos Gerais, fornece mais detalhes sobre o plano.

Qual é a avaliação do senhor, em âmbito regional, do Plano Safra que se encerrou em 30 de junho e do novo plano, iniciado em julho?
Fechamos uma safra 2018/19 muito boa, com crescimento de aproximadamente 19% no volume de recursos emprestados nos Campos Gerais, bem acima da média nacional (1,7%). E iniciamos uma safra com uma ótima perspectiva. Conversamos com os produtores e a expectativa deles também está positiva em relação a produtividade e previsão climática, e o banco está pronto para apoiar. Temos um volume de recursos 10% superior ao do Plano Safra passado e pretendemos aplicá-lo na totalidade este ano.

Qual foi o volume de recursos liberados na última safra? E qual foi o maior share de clientes e quais mais ampliaram a sua participação?
Na última safra, liberamos nos Campos Cerais aproximadamente R$ 2,5 bilhões entre investimento e custeio. E a expectativa para esse ano é de um incremento de 10%. Nos Campos Gerias, os pequenos produtores representam 30% do crédito aplicado, mas os grandes produtores foram os que mais cresceram na captação de recursos na última safra. A agricultura familiar é um dos nossos principais focos: temos, atualmente, 50% de participação na concessão de financiamentos no âmbito do Pronaf [Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar], sempre focados na melhoria da qualidade de vida do produtor e na geração de renda no campo.

“Os grandes produtores foram os que mais cresceram na captação de recursos na última safra”

Por que houve um crescimento regional acima da média estadual e nacional na liberação de recursos?
O alto nível de tecnologia no agronegócio da nossa região, com agricultura de precisão, pecuária de qualidade, constante melhoramento genético e produtores atentos à necessidade de modernizar e expandir as suas atividades, é o diferencial da região. Os nossos clientes investem continuamente na melhoria das suas propriedades e em tecnologia de ponta.

Quais costumam ser os principais motivos de destinação? Para quais setores, enfim, os produtores da região mais buscam recursos?
É bastante diversificado. Como atendemos a todo nicho da agricultura e pecuária, temos demanda para pecuária, para inovação – inclusive temos linhas para a fruticultura que estão se desenvolvendo bem na região. Temos a linha para horticultura em alguns municípios da região metropolitana de Curitiba. Então tem muita horticultura sendo financiada. E temos aqui, principalmente em Carambeí, Castro e Arapoti, uma pecuária muito forte, para a qual é destinado uma demanda representativa de recursos.

Qual é a relevância dos Campos Gerais dentro da liberação do Plano Safra estadual?
O Paraná é um dos principais estados para o agronegócio brasileiro, bem como a região dos Campos Gerias, em virtude de suas potencialidades, logística, proximidade com os portos, pujança e espírito empreendedor dos produtores. Os R$ 2,5 bilhões representam 25% do estado. É o número regional de uma superintendência que abrange uma grande quantia de municípios: 74.

“Temos um volume de recursos 10% superior ao plano do ano passado e pretendemos aplicá-lo na totalidade este ano”

O governo anunciou algumas mudanças para o plano deste ano. Quais seriam as principais delas e quem elas mais impactam?
Tivemos uma mudança na divulgação da política econômica para a agricultura do governo federal, com incremento de até 1 % em algumas linhas de crédito, mas o banco está trazendo muitas facilidades. Estamos trabalhando com financiamento de construção e reforma no Pronaf, e a possibilidade de renovação do Pronaf pelo celular, sem que o produtor precise ir a uma agência para fazer isso. Essa é uma agilidade que o Banco do Brasil está trazendo para o produtor para facilitar o dia-a-dia dele.

Por que o Banco do Brasil se destaca na liberação do Plano Safra, sendo o principal financiador desses recursos em todo o país?
O Banco do Brasil atua como parceiro dos produtores rurais há mais de 100 anos, apoiando-os em suas necessidades de crédito e outros serviços. Temos a maior carteira de crédito para o agronegócio, que, em março, era de R$ 187,4 bilhões, e com índices de inadimplência em 1,85% para operações vencidas há mais de 90 dias. Na safra 2018/2019, o nosso desembolso foi superior a R$ 85 bilhões. No Paraná, em específico, liberamos R$ 10,6 bilhões. A atuação ao lado do produtor, a proximidade no relacionamento e a busca por inovação são os diferenciais do Banco do Brasil.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *