Antes de tudo, deputada

Conhecida pela atuação independente e pelas posições incisivas, Mabel Canto leva a sério a sua função de deputada: fiscalizar

Por Fernando Rogala

Deputada estadual mais votada em Ponta Grossa, Mabel Canto (PSC) tem se destacado por uma atuação independente na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP). Apesar de integrar a base do governador Ratinho Junior (PSD), ela, que é filha do ex-prefeito e apresentador Jocelito Canto, não mede as palavras para se posicionar e criticar o que lhe parece errado. Entre as bandeiras de Mabel, estão o cuidado com os menos favorecidos e crianças, a transparência, a educação e as mulheres.

Como você avalia o seu posicionamento no Legislativo?
Eu sou deputada da base do governo, mas isso não me impede de ser deputada. Antes de tudo, eu sou deputada. Tenho que fiscalizar, legislar, apontar o que acho que pode ser corrigido e melhorado. O deputado da base não pode ser aquele que só apoia todos os posicionamentos do governo.

A sua atuação incisiva já resultou em algum tipo de represália?
Eu havia feito duas indicações de cargos, indicações técnicas e não políticas, uma para a chefia do CIRETRAN [Circunscrição Regional de Trânsito] e outra para a Secretaria da Família e Desenvolvimento Social. Mas, por conta do posicionamento que adotei em relação à trincheira do [bairro ponta-grossense] Los Angeles, principalmente em relação ao secretário [de Estado da Infraestrutura e Logística] Sandro Alex, eu perdi os cargos. Mas no governo em si eu não tive represália. Eu votei junto com o governo em tudo.

“O deputado da base não pode ser aquele que só apoia todos os posicionamentos do governo”

Depois da trincheira, o que está no seu “radar” de fiscalização?
Acompanhamos as escolas. Três delas são prioridades: a Iolando Taques, a Francisco Pires e a Padre Pedro. Também damos atenção à Linda Bacila, que estava sem energia na parte nova. Fiscalizamos o Lago de Olarias, e depois a prefeitura fez os pagamentos que devia da contrapartida. Após mexermos, eles pagaram no dia seguinte.

Você já disse que não será candidata à prefeitura de Ponta Grossa. Mas, se fosse, quais seriam as suas prioridades?
Certamente a revisão do contrato do transporte coletivo, que vai terminar. Talvez seja a principal demanda do próximo prefeito. Trazer um novo modelo, talvez com obras de infraestrutura nos terminais, oferecer transporte coletivo de qualidade e menor preço possível. É preciso analisar o contrato da Sanepar. A prefeitura deve muito, e precisa revisar esses cálculos, porque parece que o que a Sanepar cobra não são os devidos pela prefeitura. E olhar muito pelos bairros mais distantes, especialmente quanto à saúde. Eu não vou participar como candidata, mas vou participar ativamente da próxima eleição.

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