Museu Campos Gerais inicia série de atividades culturais

O Museu Campos Gerais da Universidade Estadual de Ponta Grossa inicia nesta quinta-feira (27) a série de três eventos culturais previstas para o último final de semana de junho.  A professora Patrícia Camera ministra, a partir das 9h da manhã, realiza  duas oficinas de desenho de observação com carvão e de fotomontagem. Camera é docente do curso de Artes Visuais da UEPG e Diretora de Ações Educativas do MCG.

Niltonci Chaves, diretor do MCG, lembra que as atividades que iniciam amanhã são gratuitas e abertas à comunidade externa e interna. “Iniciamos na quinta pela manhã com a professora Patrícia Camera, depois discutiremos africanidades com o Noites de Sexta  e seguimos no sábado com a exibição do filme Ex-Machina. Esta programação significa a concretização de um calendário cultural, em que essas atividades são fundamentais para que o Museu assuma protagonismo no cenário cultural local”, destaca.

Noites de Sexta

A programação cultural continua no dia 28 de junho com mais uma edição do evento  Noites de Sexta com o tema “Cultura Afrodescendentes em perspectivas femininas”, a partir das 18h30. O diretor do acervo do MCG, Rafael Schoenherr, esclarece que o Movimento das Mulheres Negras fará projeções visuais e uma roda conversa sobre importância da organização das mulheres e a diversidade da cultura negra. “A seguir a atividade encerra com batuques e umbanda, numa celebração que marca pré-estreia do Espaço Cultural Debret, que está em reforma”, complementa.

Merylin Ricieli, representante do Movimento de Mulheres Negras, afirma que a atividade busca dar visibilidade às práticas sociais e culturais desenvolvidas por mulheres negras em Ponta Grossa. “A intenção é valorizar tal protagonismo como um modo de contribuir para a luta anti-racista que deve ser prioridade constante no contexto político em que estamos. Assim, a importância do tema tratado no evento é a própria positivação das identificações negras femininas que são plurais e subjetivas, mas que infelizmente são vistas sob uma ótica generalizante e rasa”, enfatiza.

A programação inclui a exposição “A minha Arte tem cor”, com Rosângela Miléo e apresentação musical das artistas Letícia Carvalho Silva e Mila Oliveira. Na sequência haverá “Contação de História com Elas”, por Liz Ângela Gonçalves Almeida e Ana Cláudia Oliveira. O bate-papo sobre “Mulheres negras e o lugar de fala” será conduzido por Merylin Ricieli. A programação inclui apresentação do perfil e características da Umbanda com Horaciele Carvalho e Patrícia Vasconcelos. Haverá atividades paralelas como Temini tranças, com Jane Aransiola e Geniga Teixeira e Negras em Foco: Com a fotógrafa Ester Camargo.

Sábado

Na tarde de sábado (28), a partir das 15h, o projeto Fissura exibe o filme Ex-Machina. A obra de ficção científica (2015) foi dirigida por Alex Garland e protagonizada por Domhanall Gleesson, Alicia Vikander e Oscar Isaac. O filme venceu o Oscar de Melhores Efeitos Visuais e também foi indicado para o Oscar de Melhor Roteiro Original em 2016.

O título do filme deriva da expressão em latim “Deus Ex-Machina” – um deus vindo da máquina – com origem nas tragédias gregas em que havia um ator interpretando deus, que desce no cenário numa plataforma (a máquina) para resolver os problemas humanos.

 “Ex Machina usa de forma bem inteligente vários dilemas humanos sobre sociedade e relacionamentos, que passam por machismo, sexualidade e idealismo feminino. Notem: Ava é um robô construído por um homem. Ela, assim como todas as outras robôs feitas por Nathan, são construídas em moldes femininos magros e curvilíneos, o padrão estético hegemônico. É só olhar para o pôster com a carcaça da robô: seios firmes, cintura fina, quadris largos. Isso mostra a idealização e objetivação do corpo feminino, principalmente por ter sido feita por mãos masculinas”, afirma o crítico Gustavo Hackaq.

Protagonismo cultural

Niltonci Chaves avalia que, dado o cenário atual, bastante complexo em relação às universidades públicas,  as atividades são importantes e são uma maneira demonstrar que os espaços universitários são fundamentais em todas as áreas, jurídicas, agrárias, nas engenharias, nas humanidades e nas práticas culturais. Para ele, “esta agenda mostra à sociedade o quanto produzimos e o quanto nos preocupamos em oferecer atividades que sejam enriquecedoras nos mais diferentes sentidos e, em especial no caso do Museu, no campo  cultural”.

MCG

O Museu Campos Gerais situa-se na esquina entre a Rua Engenheiro Schamber, 686 e XV de Novembro – Centro, Ponta Grossa – PR, 84010-340. Informações pelo (42) 3220-3470

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