Polo do conhecimento, Parque da Ciência recebe por ano 50 mil pessoas

Uma maquete gigante do Paraná, com 6.000 metros quadrados de área, um Pi com 165 casas depois do 3,14, um planetário com 15 mil sessões no currículo e 43 bustos de grandes personalidades da ciência compõem a grande ágora do Paraná. Paulo Leminski, o escritor que dobrou as palavras para explicar as humanidades, também tem assento nessa praça do conhecimento que une o exato às imperfeições do cotidiano.

Esse é o palco do Parque da Ciência Newton Freire Maia, em Pinhais, administrado pela Secretaria da Educação e do Esporte. Por ano, cerca de 50 mil pessoas visitam o espaço, que é o lugar do Estado dedicado a apresentar a alunos e professores das redes pública e privada, além da comunidade em geral, os resultados práticos de toda a teoria escrita nas apostilas. As visitas, gratuitas, são guiadas e precisam ser agendadas com antecedência.

São cinco pavilhões com grandes temas do conhecimento: ciência, cidades, energia, água e terra. O fio condutor da visita é a ideia de aplicabilidade dos conceitos de física, matemática, química, biologia e geografia dentro de um panorama maior de história. Ou seja, entender como o ser humano saiu das pinturas rupestres para a construção de prédios de quase um quilômetro de altura; ou como é possível tocar música sem tocar um instrumento, levantar o próprio peso ou um microssistema lacrado sobreviver abastecendo-se apenas de luz.

O Parque da Ciência, segundo seu coordenador, o professor e matemático Anísio Lasievicz, funciona como espaço multidisciplinar para explicar que o conhecimento não é afeto a caixinhas separadas, mas deve ser entendido como ímã que capta o que há de mais relevante na evolução da Terra. “Queremos tornar concreto os fenômenos que vemos na teoria. Em segundo lugar, mostrar as aplicações disso e sobretudo qual o contexto de todas as coisas que foram construídas”, argumenta.

LABIRINTOS – O percurso de cortinas e o labirinto no pavilhão cidades ajudam a explicar a construção do conhecimento e suas aplicações na sociedade. A cada dez passos as persianas apresentam filmes diferentes com novas perspectivas sobre as sociedades, de Chaplin a Valêncio Xavier, de “Um Lugar Chamado Notting Hill” ao filme francês “Meu Tio”, sobre o contraste de uma mansão excessivamente organizada com a simplicidade do dia a dia. O labirinto é a metáfora dessa confusão das cidades, do medo do desconhecido.

A matemática também é explorada de maneira mais simples, longe das fórmulas. Ela é parte de tudo o que foi construído ao longo do tempo e aparece simbolicamente com os números do Pi que percorrem o pavilhão. A matemática do Parque é a possibilidade de erguer casas, monumentos e cidades, mas também de levar uma sonda a Marte da maneira correta – são necessárias, por exemplo, 1.200 casas de Pi depois do 3 para realizar um cálculo final correto.

Os números também são a base da geração de bens e valores, o mercado propriamente dito, o banco, a carteira no bolso. Daí a experiência de proporcionar aos alunos a simulação de uma reunião do G7 – o grupo de países da elite econômica. A brincadeira de telefone sem fio leva jovens a discutirem como diplomatas desses países os rumos do mundo. Por que exportamos tanto? Por que somos líderes em produção agrícola e não em tecnologia? Por que a comunicação é tão fundamental nos dias de hoje?

PARANÁ – O Paraná aparece em três momentos. Há uma grande ágora curitibana, onde repousa num banco da Rua XV a estátua de Paulo Leminski e a reprodução da coluna de João Turim, um dos líderes do movimento paranista (a tentativa de integrar alemães, poloneses, japoneses, italianos e demais imigrantes pelos traços). A ágora, inspirada nas antigas praças gregas, palco dos debates filosóficos, foi criada como espaço de convivência e aula, exemplo de civilidade. O poeta ali é a possibilidade também da ciência ter algumas curvas.

Curitiba, pouco atrás, aparece mapeada com pequenos pedaços de madeira. Os prédios, gigantes no Centro, se apequenam conforme aparecem as beiradas, os bairros. A foto da cidade tem uma escala 1:2500 e foi tirada com uma técnica chamada aerofotogrametria, que especifica toda a construção dos planejamentos históricos da cidade. O passeio em cima dessa capital que parece de mentira permite entender os eixos metropolitanos, a distribuição dos parques e as áreas que concentram riqueza e pobreza.

MAQUETE – Outra grande atração é a maquete do Paraná do lado de fora dos pavilhões. A entrada é pela “Ponte da Amizade”, em Foz do Iguaçu, na região Oeste, porque ela respeita exatamente a posição cardeal do Estado. O mapa de nível traz os principais rios, rodovias, os três planaltos (divisão geográfica do Estado), além da Serra do Mar e do Litoral, em direção a Leste. Os 399 municípios são identificados com bolas brancas e os conglomerados urbanos são apontados como manchas neste espaço. Ali os estudantes podem visualizar a dimensão geográfica do Paraná.

PLANETÁRIO – O planetário do Parque é pioneiro na divulgação da visão de céu que os indígenas tinham, num trabalho que contrapõe o eurocentrismo da ciência. Ele já foi visitado por 500 mil pessoas nos últimos 17 anos e é uma dos projetos tecnológicos mais ambiciosos desse espaço, capaz de projetar céus do passado e do futuro com zoom e identificar as constelações da astronomia e da cultura grega. As aulas nesse globo duram cerca de 30 minutos.

Além das projeções, o Parque também abre a possibilidade de visualizar os planetas e satélites a olho nu e com telescópios. No último Dia dos Namorados, por exemplo, o local abriu as portas para o público observar planetas visíveis, a Lua e outros objetos interessantes em telescópios. As microaulas ensinam a identificar as principais constelações da estação e outras curiosidades sobre o céu.

NOVA EXPOSIÇÃO – Além desse circuito de conhecimento, o Parque se prepara para uma nova exposição com outra maquete do Paraná com as principais rodovias e relevos, capaz de atender pesquisadores e alunos, e uma coleção de pedras. A Secretaria da Educação e Esporte recebeu todo o material do Instituto de Terras, Cartografia e Geologia do Paraná (ITCG) que estava no museu da Mineropar. São 900 rochas, cristais e pedras preciosas que contam boa parta da história do Paraná e do mundo. Todo esse material está sendo triado, catalogado e será exibido em uma área nova de mais de mil metros quadrados a partir do segundo semestre.

VISITAS – As excursões duram de 2h30 a 3h, podendo variar de acordo com a modalidade de visita escolhida pela escola. Os alunos conhecem de perto experimentos de áreas como cosmologia, paleontologia, geografia e história. O limite de agendamento é de 80 alunos por escola e pode ser realizado através dos telefones (41) 3666-6156 e (41) 3675-0121, de segunda a sexta, em horário comercial.

SERVIÇO – O Parque fica na Estrada da Graciosa, 7400, em Pinhais. Mais informações estão disponíveis no site do Parque da Ciência www.parquedaciencia.pr.gov.br ou no www.facebook.com/parquedaciencia.

Saiba mais sobre o trabalho do Governo do Estado em:
http:///www.facebook.com/governoparana e www.pr.gov.br

Com informações da Agência Estadual de Notícias

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